— Blog · 29 de outubro de 2026 · 2 min de leitura
Três leituras sobre matéria, memória e geometria na arquitetura contemporânea
De uma casa revestida a madeira carbonizada a um museu dedicado à arqueologia e à arte, passando por uma ruína reinterpretada como gesto geométrico, estes três projetos mostram como a arquitectura portuguesa e ibérica continua a explorar a relação entre técnica, contexto e narrativa espacial.

Yakisugi House: a madeira como pele, proteção e identidade
Na Yakisugi House, o Estudio Mazara recupera uma técnica ancestral de tratamento da madeira para construir uma habitação contemporânea com forte presença material e climática. O recurso ao yakisugi — a carbonização controlada da superfície — confere durabilidade, reduz a manutenção e acrescenta uma expressão visual singular, onde textura, sombra e cor se tornam parte da experiência arquitectónica. Para os arquitectos, o projeto reforça a актуalidade de soluções passivas e de materiais com memória, capazes de unir performance, sustentabilidade e carácter.
MIAA: um museu para cruzar arqueologia, arte e cidade
O projeto do MIAA — Museu Ibérico de Arqueologia e Arte, assinado por Carrilho da Graça Arquitectos, propõe um equipamento cultural pensado como ponte entre o passado e o presente. A arquitectura organiza-se em torno de uma leitura cuidadosa do lugar, valorizando a relação com o tecido urbano e com as camadas históricas que o museu acolhe e interpreta. Mais do que um contentor expositivo, o edifício afirma-se como espaço de percurso, contemplação e mediação cultural, oferecendo aos profissionais uma referência clara sobre como desenhar instituições que dialogam com o território e com a herança patrimonial.
A Geometric Ruin: quando a ruína se transforma em forma contemporânea
Em A Geometric Ruin, o atelier 00L explora a potência simbólica da ruína através de uma composição rigorosa e abstracta, onde a fragmentação deixa de ser sinal de perda para passar a ser linguagem projectual. O resultado é uma proposta que trabalha a tensão entre ausência e estrutura, entre matéria remanescente e nova ordem geométrica. Para quem desenha arquitectura, este trabalho é um lembrete de que o fragmento, o vazio e a imperfeição podem ser ferramentas de projecto tão expressivas quanto a forma final.
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